Era uma vez um homem que tinha o sonho de ser muito rico e fazia de tudo para ter muito dinheiro e tornar-se famoso. Não havia ninguém que não tivesse ouvido falar do seu egoísmo e ganância ou não conhecesse a sua vaidade e arrogância. A sua obsessão por acumular riquezas e obter lucro era tanta que nada nem ninguém tinha valor se não contribuísse para conseguir os seus objetivos e, por isso, não tinha amigos e toda a gente se afastava dele.

Um dia, decidiu ir à procura de um tesouro que ouvira dizer que estava enterrado numa montanha há muitos séculos e nunca ninguém fora capaz de o encontrar. Apesar de já ter dinheiro mais do que suficiente para um resto de vida regalada e tranquila, a sua vontade de ter mais e mais coisas e ser reconhecido como o maior milionário do mundo levou-o a encetar a nova aventura, transportando consigo apenas uma pá nas mãos e uma mochila às costas com roupa e dinheiro.

Durante semanas a fio, o homem fez buracos e mais buracos por toda a montanha à procura de algum cofre carregado de moedas de ouro, de um baú cheio de pedras preciosas ou, quem sabe, de uma arca abarrotada de joias raras. Apesar da sua determinação e persistência, não conseguia encontrar o dito cujo tesouro e apenas ia enchendo a sua mochila com pequenas coisas que considerava valiosas e com as quais poderia obter bom dinheiro.

Ziguezagueava desanimado e cansado pela montanha há muito tempo e nem disposição tinha para olhar para o céu ou para as belas paisagens, vergado que estava a olhar para o chão com o peso da sua mochila cheia de tudo e mais alguma coisa.

Um dia, decidiu descansar e sentou-se em cima de um rochedo. Como nem força tinha para tirar a mochila das costas, caiu para trás, não se dando conta que uns arbustos escondiam um precipício. Rapidamente, o peso da mochila puxou-o para o abismo e apenas teve tempo para se agarrar com uma mão a um ramo de uma pequena árvore que se encravara nas paredes do despenhadeiro e segurar coma outra a pesada mochila com quantas forças tinha.

Como a sua vida estava presa por um fio, gritou desesperadamente e o mais alto que conseguia por socorro. Sabia que não iria aguentar muito tempo naquela situação e quando já se preparava para desistir, ouviu a voz aflita de um rapaz que tinha ouvido o eco dos seus gritos. Berrava e bracejava para que o homem largasse a mochila e assim fosse mais fácil puxá-lo para cima, mas ele resistia e dizia que preferia morrer do que perder tudo quanto tinha. Passado um par de minutos, não aguentou mais e lá cedeu e, após muito esforço e tenacidade do rapaz, foi salvo.

O homem estava destroçado. Tudo quanto era importante para si tinha-se esfumado em poucos minutos, tudo quanto fora a razão de ser da sua existência tinha-se evaporado num instante, tudo quanto o fizera um homem realizado tinha-se evaporado em menos de nada.

O rapaz tentou consolar o homem e disse-lhe que o verdadeiramente importante era não ter morrido e que o que quer que estivesse dentro da sua mochila não valia nada diante do privilégio de continuar a viver. Depois, referiu que havia descoberto que as coisas mais valiosas da vida não eram coisas e que o essencial da existência humana não se conseguia ver com os olhos, nem meter dentro de uma mala ou de uma caixa, nem era possível perceber com a inteligência. 

Depois disse que as riquezas, os bens materiais, as dependências, a fama, o prestígio, o egoísmo, o orgulho, o passado e os problemas eram pesos desnecessários que afetavam negativamente a coluna da existência e a autêntica felicidade. Os amigos, a família, os sonhos, o conhecimento, a fé, a esperança e o amor não pesavam nada nem ocupavam espaço. Só fazia falta o que cabia no coração e apenas valia a pena transportar afetos na mochila da vida. 

O homem estava em lágrimas, mas feliz. Aquele jovem tinha-lhe salvo a vida e tinha-o ajudado a encontrar o verdadeiro tesouro: a amizade. Então, o homem mudou radicalmente a sua forma de ser e estar no mundo porque a vida tinha-lhe oferecido uma nova oportunidade. Como descobrira que a felicidade era amar e dar-se sem esperar nada em troca, começou a partilhar tudo quanto tinha e era com as outras pessoas. E quando lhe perguntavam por que andava sempre com uma mochila vazia às costas, ele sorria e dizia que era a Mochila dos Afetos.

Prof. Paulo Costa

Na semana de 11 a 15 de novembro terá lugar a SEMANA DOS AFETOS. O lema inspirador deste ano é uma das ideias mais famosas de ‘O Principezinho’: ‘Só se vê bem com o Coração’.

Trata-se de uma iniciativa da disciplina de EMRC/INTERIORIDADE no contexto do Projeto de Educação Afetiva e Sexual do Colégio, como vem sendo hábito há vários anos.

O símbolo deste ano letivo é a MOCHILA. As características desta bolsa, que nos permitem transportá-la facilmente às costas para qualquer lado, tornam-na numa metáfora interessante e significativa daquilo que somos como pessoas, daquilo que é importante para a nossa existência e daquilo que tem valor afetivo para a nossa vida. Efetivamente, a mochila acompanha-nos, como fiel companheira das nossas aventuras diárias e dentro dela levamos connosco as coisas de que mais precisamos e de que mais gostamos, tal como sinais ou representações afetivas das pessoas que mais amamos nas caminhadas da nossa história pessoal.

Para que várias dimensões afetivas fossem refletidas e contempladas, a Semana dos Afetos é o âmbito temático do Projeto de Compreensão de EMRC.Interioridade. Eis a distribuição dos temas do Projeto ‘Mochilas dos Afetos’: 1º ano: Brincadeira; 2º ano: Animais/ Plantas; 3º ano: Amizade; 4º ano: Família; 5º ano: Profissões; 6º ano: Educação (Colégio); 7º ano: Desporto; 8º ano: Música; 9º ano: Viagens/ Lazer; 10º ano: Solidariedade; 11º ano: Religiões; 12º ano: Amor.

Assim, dois trabalhos serão apresentados à comunidade escolar na próxima semana: Exposição ‘Mochilas dos Afetos’ (duas por turma: alunos de EMRC e Interioridade deste semestre) no Edifício Administrativo e Exposição ‘Só se vê bem com o Coração’ (corações em trabalho manual individual a decorar as janelas do Colégio).

A entrega dos Prémios de Excelência e de Mérito decorrerá nos seguintes dias:

  • 2.º e 3.º ciclos: 14 de novembro, pelas 18:00.
  • Secundário: 21 de novembro, pelas 18:00.

Para além da homenagem aos nossos melhores alunos do ano letivo 2018/2019, irão ser apresentadas dois novos prémios: Iniciativa e Participação e Humanismo e Solidariedade. 

Por ocasião da Semana Nacional da Educação Cristã, os professores de EMRC/Interioridade e Cidadania e Desenvolvimento desafiaram os alunos para a Campanha de Solidariedade ‘O Mercadinho’. O Fórum Social de Santa Maria de Lamas pediu-nos ajuda e a resposta de todos foi extraordinária.

O Mercadinho é um projeto do Fórum Social de Santa Maria de Lamas que garante o essencial em termos de bens alimentares e produtos de higiene e limpeza a quem mais precisa e está identificado oficialmente pelas instituições de Santa Maria de Lamas.

O convite era o da partilha de um bem alimentar, num gesto concreto de altruísmo em favor das famílias mais carenciadas da freguesia onde se localiza o nosso Colégio.

Na semana de 14 a 18 de outubro procedeu-se à divulgação e sensibilização da campanha em todas as turmas do 1º ao 12ºano, na semana seguinte recolheram-se as ofertas e no dia 29 do mesmo mês elas foram entregues às responsáveis do Fórum Social de Santa Maria de Lamas.

O Mercadinho pediu-nos que privilegiássemos alguns produtos que estão em falta neste momento. Assim, procedemos à seguinte distribuição: 1º ano, bolachas; 2º ano, farinha; 3º ano, sal; 4º ano, vinagre; 5º ano, polpa de tomate; 6º ano, arroz; 7º ano, feijão; 8º ano, açúcar; 9º ano, óleo; 10º ano, leite; 11º e 12ºano, azeite. A comunidade colegial foi muito generosa, tendo sido possível entregar 25 caixotes de produtos.

Muito obrigado às famílias dos nossos alunos que quiseram partilhar um pouco de si, fazendo muito por quem mais precisa, acreditando que há mais felicidade quando se dá do que quando se recebe. Assim se ensina e aprende a solidariedade e a responsabilidade social.

Os Professores de EMRC/Interioridade